O líder Rui Soalheiro aposta no golfe e pretende um “Minho Escocês”:
Rui Soalheiro, presidente da Comunidade Intermunicipal do Minho - Lima, a entidade que assumiu a liderança desta parceria público - privada, referiu; “A construção e animação da rede golfe, através de sete campos que poderão transformar o Minho “numa espécie de Escócia portuguesa”, é uma das principais apostas da candidatura.
É uma aposta no que é nosso, em fazer coisas diferentes, para transformar o Minho rural, com baixa densidade populacional, num território competitivo, numa região diferente, num grande pólo de atracção”... Fonte: http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=571
A realidade dos campos de golfe do líder Rui Soalheiro:
Os campos de golfe, estão unidos sempre a urbanizações do território, normalmente são o meio, para requalificar terrenos agrícolas que deveriam ser protegidos, obtendo benefícios milionários á custa da depredação do território. A sua inclusão em projectos urbanísticos unicamente é para encarecer o preço de venda das vivendas, construídas no seu entorno, ainda que a maioria de compradores não pratiquem o golfe.
Os impactes ambientais dos campos de golfe são diversos; Consumo de território, urbanização do meio natural e rural, perda de corredores biológicos entre espaços naturais, contaminação de aquíferos, desfiguração da paisagem, pressão humana pelo incremento do trafico, ruído, contaminação luminosa nocturna, etc.
Um campo de golfe é um ambiente ajardinado, onde a vegetação natural e autóctone é mudada para uma artificial que se mantêm com regas intensivas e com aplicações de grandes quantidades de, fungicidas, herbicidas, insecticidas, destinados a conservar os relvados e “green” (ervas adventícias, toupeiras, minhocas, etc.), ao ser tóxicos, persistentes e bio acumulativos e pouco selectivos, não atacam só as espécies consideradas “não desejadas”, mas também afectam a ao ser humano e aos habitats próximos.
Quanto aos fertilizantes, aplicam-se normalmente grandes quantidades de químicos azotados que salinam o solo e contaminam os aquíferos de água, rios e ribeiras.
Os campos de golfe estão obrigatoriamente sujeitos a avaliação de impacte ambiental, nos termos do regime jurídico da avaliação de impacte ambiental dos projectos públicos e privados susceptíveis de produzirem efeitos significativos no ambiente, actualmente regulado pelo Decreto-Lei nº 69/2000.
A água como recurso local e o desenvolvimento sustentável:
A manutenção das grandes extensões de relvado dos campos de golfe, consumem grandes quantidades de água, sobretudo na primavera e verão, devido á evaporação e pouca fluviométrica. Calcula-se que as necessidades hídricas de um campo de golfe de 50 hectares, pode ser superior aos 500.000 m3 anuais (o equivalente ao consumo doméstico de mais de 12.000 pessoas.
Hoje a água é um recurso que temos que salvaguardar, um bem cada vez mais escasso e indispensável para a vida e para um desenvolvimento sustentável, para que dure no tempo e beneficie á sociedade e não a uma elite inconsciente e depredadora.
O que realmente são os recursos endógenos?
O Desenvolvimento Endógeno busca incorporar a povoação excluída e adoptar novos estilos de vida e consumo, impulsionado por uma economia sustentável, fundamentada em valores sinérgicos e solidários, esta economia social não tem por objectivo a ganância depredadora, mas sim os homens e as mulheres que a compõem, esta economia tem por base o desenvolvimento sustentável do ser humano.
O verdadeiro significado de desenvolvimento Humano, Endógeno e Sustentável, compreende os direitos humanos fundamentais como principal objectivo, de maneira que se tenha presente o ser humano na sua totalidade, assim como a sua capacidade para:
* Alcançar o desenvolvimento pessoal e regional.
* Transformar os seus próprios recursos para produzir novas fontes de emprego.
* Interagir com a natureza e a tecnologia.
* Preservar o meio ambiente e aproveitá-lo correctamente.
* Serem motores de desenvolvimento da sua própria região.
* Elevar a qualidade de vida.
A prática da intermediação, público / privada e da apropriação de recursos e programas sociais está praticamente generalizada no nosso sistema político nacional, impedindo que sejam as iniciativas da cidadania uma alavanca para recursos novos de desenvolvimento sustentável.
O verdadeiro desenvolvimento endógeno desenvolve a auto – estima dos seres humanos que compõem as regiões, assim como a sua dignidade. A palavra endógeno significa “desde dentro”, o que quer dizer, activo económico e sustentável de uma região, utilizando os recursos próprios que esta possui.
Os campos de golfe não são recursos endógenos, nem o “PROGRAMA “PROVERE” – Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos.” Terá critérios para a sustentabilidade desta região, os campos de golfe formam parte do sector imobiliário, muito mais do que o desportivo.
As administrações públicas serão coniventes ao apoiar, projectos megalomanos, ambientais e socialmente insustentáveis.
José-morais
http://permaculturasendaverde.blogspot.com