Emprego em risco no Hotel Termas de Monção
Inaugurado há cinco anos e actualmente com 22 trabalhadores, o Hotel Termas de Monção pediu a insolvência por dívidas que poderão ascender a três milhões de euros, informou fonte sindical. Segundo o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria, Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte, Francisco Figueiredo, o pedido de insolvência foi “precipitado” pela sociedade ‘Turismo Fundos’, que “se apresentou no hotel para o penhorar e despejar”.
A ‘Turismo Fundos’ é uma sociedade gestora de fundos de investimento imobiliário cujo capital é maioritariamente detido pelo Fundo de Turismo (53,20 por cento), sendo a fatia restante repartida por duas instituições bancárias. De acordo com Francisco Figueiredo, o Hotel Termas de Monção deverá cerca de meio milhão de euros ao ‘Turismo Fundos’, referentes a rendas pela ocupação do imóvel. “Se o hotel não tivesse apresentado imediatamente o pedido de insolvência, se calhar já estava despejado e penhorado”, disse ainda o sindicalista.
Se o tribunal decretar a insolvência, será nomeado um administrador judicial, que ficará à frente dos destinos da unidade até à realização de assembleia de credores. Entretanto, vai ser elaborado um plano de recuperação, a submeter à apreciação dos credores na referida assembleia. “A administração do hotel já garantiu que quer manter a unidade aberta, desde que se consiga negociar a forma de pagamento da dívida à Turismo Fundos”, acrescentou.
Disse ainda que o sindicato vai pedir uma audiência ao secretário de Estado do Turismo, para tentar ultrapassar as dificuldades e evitar a extinção de 22 postos de trabalho. Francisco Figueiredo garantiu que o hotel facturou este ano mais do que em 2008 e conseguiu uma taxa de ocupação mais elevada, na casa dos 38 por cento. Neste momento, e em relação aos trabalhadores, apenas está em atraso o pagamento de metade do salário de Dezembro.
Em meados de 2009, o mesmo sindicato já tinha denunciado atrasos no pagamento dos salários. Na altura, contactado pela Lusa, o administrador do hotel, José Fortes da Gama, justificou os atrasos com as dificuldades financeiras provocadas pela gestão “ruinosa” da unidade hoteleira entre Junho de 2007 e Dezembro de 2008, a cargo de uma empresa espanhola. “Abriram um buraco de várias centenas de milhares de euros e não tivemos outro remédio senão rescindirmos o contrato de concessão e assumirmos nós a gestão do hotel, porque a situação se tornou verdadeiramente insustentável”, acrescentou.